Eu sei que a maioria das pessoas sentiu que Janeiro teve 5398312 dias, mas o meu mês primeiro mês de 2025 teve os normais 31 dias – e mesmo assim consegui ler 5 livros e 4 deles deixaram-me a olhar para o teto (vão haver spoilers, ficam já avisados).
Por isso, o que podem esperar deste post? Review dos livros que li em Janeiro e porque raio foram difíceis de digerir. Agora que penso nisso: li mais fantasia que romance. Terá sido isso?

A verdade é que o meu estado de espírito altera muito a percepção que tenho que que leio (mas somos todos assim, quer seja a ler quer seja a lidar com a vida, ou não?). E o meu estado de espírito em Janeiro pode ser sido bom a maioria das vezes, mas a verdade é que sou altamente afetada pela falta de sol e odeio (vá, odiar é uma palavra demasiado forte – talvez) o Inverno e só quero que a Primavera chegue.
Se leram o post sobre as leituras de Dezembro já sabem que comecei 2025 a ler…
- O Completo de Atlas, Olivie Blake
Para quem está a cair nesta saga de paraquedas: esta é uma trilogia de fantasia, que segue a vida de 6 pessoas, todas com muita magia em si e que por isso foram escolhidos para pertencer a uma sociedade secreta super xptó. As personagens tem todas personalidades fortes, histórias de desenvolvimento bem construídas em que linha entre o certo e o errado está sempre esborratada.
Eu gostei mesmo muito dos primeiros dois livros, e a ler este lembrei-me que uma das razões é a personalidade do narrador. A maneira como história é contada faz-me lembrar um amigo sentado no sofá, a contar algo sobre outros amigos, com apartes e nuances da sua opinião pessoal. Perde-se em divagações. Não é objetivo e tira muitas vezes partidos contraditórios, faz com que a dita linha entre o certo e o errado fique casa vez mais difusa.
Devia ter voltado a ler do início (e o fim do livro anterior) porque a minha memória é uma porcaria e havia ali muitas lacunas – que nestes livros não pode haver porque perco o fio à meada – e fiz um esforço grande para me lembrar de certas coisas para que o puzzle se encaixasse.
Tal como os dois primeiros livros, esta foi uma leitura ansiosa (mas que adorei, claro). A codependência que as personagens criam uma das outras é quase tóxica e ao mesmo relatable e ás tantas dou por mim a torcer por todos e a querer que morram todos ao mesmo tempo. A dor que senti quando a Libby faz AQUELA escolha (estou a tentar não ter spoilers!) foi real e fez-me repensar o meu amor pela leitura.
Não sei do que estava à espera, mas o fim desta saga não era o que eu precisava. Iludi-me a achar que me iam um fim, mas claro que não. Ou talvez tenham dado a algumas das personagens, porque o fim é a morte (ou não, não é Nico?)

Ansiosa e desiquilibrada – foi assim que me senti quando acabei de ler. Que raio de livro! Porque é que faço isto a mim própria foi uma pensamento recorrente, mas cheguei à conclusão que se voltasse atrás lia tudo outra vez. Portanto… só me restou continuar e pegar num romance fofo para ajudar a desfazer a pressão que sentia no peito. O que me levou a…
2. De Olhos Em Ti, Amy Lea
Já tinha lido outro livro da Amy, que achei fofo mas não foi wow, e achei que podia experimentar ler outro. Este é um romance fofo que retrata uma influencer de fitness e as sua luta em defesa do body positivity. Apesar de me ter rido no início, a meio do livro a lenga lenga já me estava a chatear… Conclusão: é fofo, um bom limpa palato. Ficará no ar se voltarei a ler mais alguma coisa desta autora ou se vou só investir nas outras autoras de romance que ainda não descobri.

3. A República do Dragão, K.F Kuang
E o terceiro livro do mês de Janeiro tinha que ser mais uma fantasia BEM ESCRITA COMO O CARAÇAS. Se continuo a achar que a história passada demasiado depressa? Sim. Se acho que isso faz com que existam buracos na narrativa? Não.
Neste segundo volume da saga da Guerra das Papoilas, continuamos a seguir a Rin, numa altura em que a culpa (e o ópio!) a comem por dentro e por fora. Para vocês perceberem o quanto estou a gostar destes livros, deixem-me que vos diga que quero ler tudo o que ela escreveu e ainda nem acabei a saga.
Esta fantasia não tem aquele tipo de romance e spicy/smut (continuo a não ir ver qual a diferença) que o Quarta Asa ou os livros da Corte tem (por isso se gostam de fantasia sem romance, talvez devam experimentar ler estes!).
A questão nestes livros é que não faço ideia do que vai acontecer a seguir – tudo pode acontecer. É quase aflitivo e a razão pela qual continuo a ler, mesmo que tenha medo que a descrição e memória demasiado gráfica e constante do massacre (dos!) me vá provocar pesadelos (é aflitiva a quantidade de mortes e a leveza com que muitas vezes encaram aquilo). Não consigo gostar da Rin, está sempre perdida na vida, mas por outro lado… não estamos todos? Será que não gosto de personagens que me fazem lembrar um pouco demais a realidade?
Fun fact: há muitas mulheres no comando. Mas capitãs, nunca generais.
Se acabei os dois primeiros livros e fiquei a olhar para o abismo, sinto que o terceiro me vai fazer e pior e não dar o fim que precisava (até agora, a única saga recente que eu senti que tinha um fim decente com o Trono de Vidro).
Uma coisa que deviam saber sobre mim é que não consigo dar pontuação a livros. Atrofia-me. Posso adorar um livro por uma razão e o seguinte por outra completamente diferente.
Entretanto, descobri que existem três contos escritos do ponto de vista do Nezha! Um de cada livro, pelo que vou só ler depois do terceiro livro. Mas se já tiverem lido tudo e tiverem tanta curiosidade como eu, podem ler aqui. (foi o único sitio em que encontrei, se souberem de mais algum sitio ou achem que isto está incompleto, digam!)
4. Sete Anos Entre Nós, Ashley Poston
“Vamos ler um romance para desanuviar” – pensei eu. E quando dou por mim acabei de ler mais um livro da Ashley Poston e estou a chorar.
O livro começa logo com o tema do luto, dois dias depois de ter pensado que podia ligar ao tio Manel, e podem pensar que foi isso que mexeu comigo. Mas não foi.
É a maneira como a autora escreve, a maneira como ela descreve o amor e a vida. Sinto que ela romantiza o amor e acabei de ler o livro com vontade de estar dentro da história, de estar apaixonada.
Este romance conta-nos a história da Clementine e de como o apartamento que herdou da tia é mágico: pode entrar um dia e ter dado um salto no tempo. 7 anos para ser mais precisa, sempre sete anos.
É assim que ela conhece um adorável wanna be chef, em que sua linguagem do amor é comida. POR AMOR DE DEUS, ele a descrever certos pratos fez o meu coração derreter. Querem que vos diga mais? Não digo. Vão ler, e depois digam-me – porque acho que a Ashley Poston passou a ser uma das minhas autoras de romances favorita.

5. Tempestade de Ónix, Rebecca Yarros
Bem, como não podia deixar de ser, tinha que ler a Tempestade de Ónix, não é verdade? Principalmente porque quanto mais tempo esperasse mais probabilidades tinha de apanhar mil spoilers nas redes sociais (e isso é algo que me estraga a experiência da leitura).
Não vos vou falar sobre o contexto deste livro, quem está a ler está a ler e o hype é tanto que não vou sequer por ai. Mas posso dizer que dei por mim, a meio do livro, a pensar que “ser adulta é perceber que homens como o Xaden só são giros nos livros.” Ninguém quer uma relação doentia daquelas na vida real, e é por isso que gostamos tanto destes livros. Certo?
Ponham os defeitos que quiserem nesta saga, mas a realidade é que a Rebecca sabe como nos agarrar, buracos na história e últimos nomes vindos do nada incluidos.
Aceitar que a história não se vai desenrolar como estás à espera e de que tudo pode acontecer… a ânsia é real.
Ter atirado o livro para o lado quando acabei de ler e ter ficado a olhar para ele durante 5 minutos a pensar “WTF” também.
E é assim, minha gente, que uma pessoa fica meia descompensada um mês inteiro: a ler.
Acabei Janeiro e comecei Fevereiro a ler o livro “Rapariga Ansiosa” da Rosa Silva (parece-me apropriado tendo em conta o meu estado de espírito atual) e falo sobre ele no mês que vem.
Depois disso confesso que estou perdida sobre o que ler… Tenho livros na prateleira mas que não são o que me apetece e tenho muitos que não tenho em casa mas que quero ler. Dilemas clássicos de leitor, não é?
Contem-me o que leram em Janeiro e se há algum destes livros que li que está na vossa lista!
Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã





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