Leituras do Mês Quente (em Vários Sentidos) de Junho

Antes de mais: sim, eu sei que o mês ainda não acabou. MAS no próximo fim-de-semana vou para Peniche montar um evento e já sei que entretanto não vou ler muito mais do que já li. Portanto… considero as leituras do mês de Junho fechadas.

O mês passado uma das minhas amigas veio ler o post das leituras do mês (não leitora, mas veio ler porque é uma daquelas amigas que apoia tudo o que faço) e mandou-me umamensagem a dizer “adorei, porque conseguia quase ouvir-te a falar. Mas não faço ideia sobre o que eram os livros”. E pronto, percebi que a minha birra de não escrever sobre o que são os livros não faz muito sentido e que eu que fazer um esforço para fazer um resumozinho de cada livro e não debitar só sentimentos – que assim não convenço ninguém a ler os livros que gostei e eu preciso que leiam para podermos falar sobre isso!

Vamos lá então ao que interessa…!

O primeiro livro que li em Junho foi Um Amor de Outro Mundo, da Kirsty Greenwood e posso já começar por dizer que na 5º página já me estava a rir (bom presságio).

Sabem o filme “Como perder um Homem em 10 dias”? Pois, este é mais “Como conseguir fugir do Céu conquistando um homem em 10 dias”, literalmente.
Delphie morre uma morte prematura (e meia que idiota) e depois de chegar ao além conhece o homem mais incrível de sempre, por quem sente a química mais forte possível. Quando este homem afinal volta para o mundo dos vivos, ela implora por uma oportunidade para voltar a viver. E é ai que a sua (muito chanfrada) hostess a envia de volta, com a condição de encontrar o dito homem e ele a beijar. Só que ele não se vai lembrar de nada, e ela vai precisar de ajuda dos amigos que (ainda) não tem.

De certa maneira fez me lembrar a Biblioteca da Meia-Noite, um livro que adorei, pela questão da segunda oportunidade, numa versão mais leve e engraçada. Teve ali uma cena ou outra que me deu “the ick”, mas não vos vou dizer para não vos influenciar. Uma boa leitura para ler entre livros marcantes, sabes? Um limpa palato.

Li livros de fantasia suficientes para saber que quando se começa a descrever o odor de um homem, ele vai ser o MMC (mmc main male character), e foi o que aconteceu a ler O Despertar da Chama Eterna, da Penn Cole.

A narrativa começa como muito dos livros de fantasia que li: uma pobre rapariga, num mundo divido em seres como poderes (descendentes de deuses) e os comuns mortais (tratados como lixo). Quem tem poderes vive bem, quem não tem vive na pobreza.
A Diem, a nossa personagem principal, é diferente, mas tenta escondê-lo. Tanto ela como a mãe são curandeiras e, quando a mãe desaparece, ela faz de tudo para a encontrar – incluindo visitas ao castelo e encontros desafiantes com o herdeiro jeitoso.

Até meio do livro só pensava que era mais do mesmo, mas a Diem é diferente, não é uma coitadinha, pequenina, frágil. Tem a resposta na ponta da lingua, o pai ensinou-a defender-se e é o que ela faz.

Acabou num plot twist que me fez querer arrancar o coração de expectativa, mas felizmente acabei de descobrir que a continuação, O Brilho da Chama Eterna, sai a meio de Julho.

Depois desta fantasia, decidi ler um romance. Melhor, decidi dar uma segunda oportunidade à Sarah Adams (de quem já tinha lido um livro que não gostei porque a personagem principal me irritava), e li o Um Amor de Perfeição.
E o que tenho para dizer sobre isto? FOFOS. Só no fim é que descobri que há livros anteriores que falam sobre o resto das personagens, mas neste seguimos a Annie na sua vida calma de cidade pequena, o dia a dia na sua florista e a interação com os seus irmãos.
O único problema da Annie é que acha que, para ser feliz, precisa de um homem para casar, só que as suas competências sociais são parecidas ás de um gremlin depois de beber água (exagero, mas pronto).
É ai que entra o bonzão do segurança da sua futura cunhada, o Will, que lhe vai dar umas “aulas”. Estão a ver onde é que isto vai parar, não estão?
Mais um romance fofo e limpa palato – e que me fez perceber que posso ler mais coisas da Sarah que nem todas as personagens principais são irritantes.

A minha prima Carminho escreveu um livro e eu tive a honra de poder ler o manuscrito.
Só que entretanto o livro foi publicado e mal tive A Extraordinária Vida de Catty nas mãos soube que o tinha que voltar a ler.

Este livro conta a história da Catty, que navega a adolescência numa cadeira de rodas, com amores e desamores, problemas que reconhecemos porque todos passámos por eles e outros que nem nunca nos passaram pela cabeça porque temos o privilégio de não ter nenhuma condição fisica.
Eu não consigo separar a autora da obra, não quando tomei conta da Carminho desde que ela era pequena e de ter uma relação próxima nos dias que correm (falamos ao telefone todas as semanas e é daquelas coisas que eu espero que nunca se perca). Dito isto, não consigo separar e acho que tudo o que sinto é mais forte por causa disso, mas este livro é uma montanha russa de emoções, e eu acho que o deviam ler. Vão rir, chorar, ficar com o coração apertado por coisas boas e más, mas vai valer a pena esta leitura extraordinária.

Bem, depois de dois romances, estava na altura de uma fantasia.
Uma fantasia que quero ler desde que o booktok me mostrou a frase “Um homem estava a falar. Por isso parei de ouvir”.
Uma fantasia que me deixou obcecada e a ler até de madrugada: Sangue de Hércules, da Jasmine Mas.

Eu tinha este livro na to read list há tanto tempo que nem li o resumo antes de o comprar, por isso eu sabia que envolvia deuses. Eu não sabia era que envolvia deuses num registo apocalíptico em 2090! Logo ai, percebi que esta história ia ser diferente.

Alexis, a personagem principal, é hilariante, sombria, com monólogos interiores que me fizeram soltar gargalhadas constantemente.
Vive em extrema pobreza, num parque de caravanas, pensa em morrer várias vezes (trigger alert) e num teste da escola descobre que afinal tem sangue de deuses e que tem que ir para uma competição radical e letal para poder reclamar os seus direitos.
É ai que entram os seus mentores, Aquiles e Patro e os seus professores, Caronte e Augusto. Todos descendentes de deuses, todos gigantes e maus e cruéis. Todos a falarem de forma estranha sem que ela perceba bem o que se está a passar – e a isto acrescentem carradas de tensão. Bónus points: nenhum deles é um shadow daddy (que já estou farta, sinceramente).
Ah, já vos disse que a melhor amiga dela é uma cobra, a Nyx, que só ela consegue ver?
E que neste mundo é normal as pessoas terem relações poliamorosas?
E que há uma divisão entre os deuses, como se houvesse “os bons e os maus”.

Uma coisa é ler como se a minha vida dependente disso, outra é o livro me agarrar completamente e eu passar o dia a pensar nele, como se fosse uma droga. Pior ainda quando se passaram duas semanas e estou constantemente a pensar nele (será amor).

Em minha defesa, a meio do livro já sabia que ia ficar com ressaca literária – mas isso não ajudou propriamente em nada.

Ri-me alto como não ria há algum tempo, porque adoro a Alexis, e curiosamente nunca temi pela sua vida (talvez por ela passar o tempo a rezar para morrer).

Na minha cabeça, a narrativa dela é como no Fleabag, quando ela quebra a 4th wall, sabem?

Para perceberem o meu estado, fui procurar fan art. Pronto. Está tudo dito, podem julgar-me à vontade (e se alguém leu este livro, venha falar comigo por favor que me sinto sozinha e o próximo sei lá quando vai sair).

A ressaca literária aconteceu mesmo e tentei ler Os Meus Dias na Livraria Morisaki.
Não foi muito boa ideia porque eu já sabia que o estilo de escrita não era para mim, já me tinha acontecido com livros do género. E acabei de por dar DNF (perdoa-me Clementina!). Guardei para mais tarde porque estava a considerar muito fofo (como não gostar de viver numa livraria), mas demasiado parado.

Foi assim que acabei por pegar no Phantasma, da Kaylie Smith.
Confesso que quando li que havia um desafio mortal, estava como medo que fosse mais do mesmo. Mas felizmente estava enganada!

Num mundo que mistura mortais com seres paranormais, Ophelia é necromante e, ao tentar encontrar a irmã desaparecida, acaba em Phantasma, uma casa sombria governada por demónios, em que, se completar 9 desafios, terá direito a um pedido, seja ele qual for.
Só que os 9 desafios são na verdade versões dos nove circulos do inferno e apenas uma pessoa pode ganhar – por isso os “colegas” vão tentar eliminá-la assim que possível.

E claro que temos um fantasma jeitoso para ajudar aqui a nossa amiga, não é? Blackwell tem respostas provocadoras na ponta da lingua e, SPOILER, mesmo com as cenas de sexo demasiado clichê entre eles, gostei.

Também gostei do facto de este livro ser um stand alone – a continuação segue a história da irmã, não directamente deles.
Aproveito este momento para dizer que ando com vontade de ler o Crescent City mas que estou com medo – quem percebe, percebe.

Por fim, para acabar este mês da melhor maneira, temos livro novo da Ali Hazelwood: Romance de Verão Problemático.

Lembram-se do Eli e da Rue do Não é Amor? Bem, eles vão se casar – em Itália.
E com eles vão os amigos, nomeadamente o Conor (melhor amigo) e a Maya (irmã mais nova) – que estão secretamente apaixonados há três anos mas nunca aconteceu nada porque eles tem 15 anos de diferença.

Li algures que uma das coisas que a Ali tinha feito bem era ter escrito a Maya como a miúda de 20 anos que era, e é tão verdade! Não tem respostas nem atitudes maduras – porque não o é.

Mas bem, este romance fofo é passado na Sicília, com limoeiros e vistas deslumbrantes e momentos entre amigos que são mais familia.

Se alguma vez quiserem culpar os meus livros por me fazerem ter expectativas irreais dos homens, culpem a Ali – porque ela sabe mesmo escrever um homem (toda aquela cena de homens escritos por mulheres, sabem?). Será irrealista querermos alguém que nos oiça e repare nas pequenas coisas? Acho que não, e a Ali sabe isso. A maior fantasia deste homem é ter a Maya só a existir em casa dele. Percebem?!



Lembrou-me também uma conversa que tive recentemente com as minhas amigas (solteiras): qual é o nosso limite de age gap? Em pus a linha em 5 anos para cima – 5 anos para baixo (ou seja – dos 30 aos 40). E vocês? Já tinham pensado nisso?

Este não é o meu livro favorito da Ali, mas gostei – como gosto sempre.
Foi uma boa leitura e uma optima maneira de “acabar” o mês (e não pensei no Sangue de Hércules enquanto lia, o que já é alguma coisa!).

Bem, digam-me se estes resumos estão bons – fiz um esforço!

Beijinhos e bom domingo,

Maria Maçã

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