Ler Fantasia para Esquecer a Realidade

Prefiro refugiar-me em mundos inventados do que enfrentar a realidade do mundo que nos rodeia – e o facto de, consecutivamente, ler um livro de fantasia atrás de outro, é espelho disso.

Eu sei, sou uma mulher adulta, este pode não ser o melhor coping mechanism. Mas por outro lado… será que não é? Vivemos tempos assustadores, com relatos que nos fazem pensar muito em livros que lemos. Sim, distopias principalmente, porque esta sociedade está louca! Estamos a caminho da terceira guerra mundial? Vamos andar para trás do tempo? Perder tudo o que foi conquistado para as mulheres? E isto a nível internacional, porque entre a barraca do nosso governo e a crise climática e da quantidade de gente que ficou sem nada estes dias com a porra da tempestade.

Eu não vejo notícias, porque o meu cérebro começa a entrar em loop: se o mundo vai acabar, porquê andar para a frente? Porquê acordar de manhã e esforçar-me para conquistar algo se tudo me pode ser retirado em breve? Percebem o meu dilema? Por isso não vejo notícias. Tenho um sistema para me manter informada: a minha irmã Matilde e a minha mãe, que me contam o que vai acontecendo. Junto a estas duas fontes pedaços de informação da internet e pronto, está tudo bem. Pesquiso temas que me parecem relevantes e sigo para a frente. Estou informada qb, o suficiente para não parecer que vivo na lua e para me dar motivação para acordar de manhã.

Posto isto, acabei Janeiro da mesma maneira que comecei: a ler Brimstone, da Callie Hart. Gostei do Quicksilver, e este até nem estou a desgostar mas… não desce! Não acho que esteja numa reading slump, só que o meu cérebro está tão errático (não vejo notícias mas continuo a pensar no futuro e a ficar bloqueada) que não estou a conseguir desenvolver. Faltam-me umas 100 páginas e estou a olhar para ele e a pensar… “talvez fiques para depois”.

Este livro pode não ter tido sucesso nas minhas mãos, mas sabem qual é que teve? Qual é que devorei em poucos dias, mesmo estando doente e no meio de um evento em Viseu? O The Crimson Moth (aka Heartless Hunter aka Caçador sem Coração), da Kristen Ciccarelli.

Se eu estava à espera de me apaixonar por um caçador de bruxas? Claro que não. Mas aparece o Gideon e eu repensei toda a minha existência – ELE COSE FLORES DE TECIDO À MÃO PARA ELA! Li em inglês e só depois percebi que já estavam publicados os dois volumes desta duologia em português – sim, já estão na minha prateleira.

Neste livro conhecemos a Rune, uma bruxa que finge ser uma socialite fútil durante o dia, mas que durante a noite anda a salvar outras bruxas. Em tempos o reino tinha sido governado por bruxas, mas depois de um golpe de estado, elas foram banidas e caçadas até à extinção (achavam eles). O caçador mais formidável de todos? Gideon, irmão do melhor amigo e cúmplice da Rune. Odeiam-se profundamente até terem que fingir interesse para sacarem informação um ao outro. Estão a ver onde isto vai dar, não estão? O que não estão a ver é o plot twist gigante no fim, pelo que sugiro vivamente que leiam o dito livro! (tomem lá um pouco de fanart para vos motivar).

Eu acho que vou pôr no Brimstone na prateleira e passar para o próximo… que a minha TBR física aumentou mais do que é psicologicamente confortável para mim e estar a remoer o mesmo livro sem andar para a frente nunca ajudou ninguém.

E vocês? O que andam a ler?

Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã


Uma resposta a “Ler Fantasia para Esquecer a Realidade”

  1. […] Depois dos livros de fantasia que li em Janeiro, acabei esse mês e passei por Fevereiro da mesma maneira que me encontro agora: a ler o mesmo livro. Não, não é um livro gigante, tem 390 páginas. E até estou a gostar, mas com tudo o que está acontecer (na vida, no mundo!) , não é um livro que me está a dar mega vontade de ler. Chama-se ” A Vida Impossível” e é do Matt Haig – autor da Biblioteca da Meia-Noite, um livro que adorei. […]

Leave a Reply

Discover more from a vida no pomar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading