
Vamos já esclarecer uma coisa: quem foi caótica em Outubro fui eu, não foram os meus livros.
Já tinha comentado antes que a minha cabeça estava em todo o lado e em lado nenhum, e isso reflectiu-se nas minhas leituras.
Comecei a continuar a ler o Olho de Gato, mas desisti. Depois reli o Doidos por Livros (saltando capítulos inteiros só para ler as minhas partes favoritas) – eu escrevi um post só sobre o meu amor pelos livros da Emily Henry, por isso dá para perceber um bocadinho a motivação.
O que também me motivou esta releitura (esta palavra não existe, eu sei, mas vou deixar assim) foi o facto de ir emprestar este livro a uma amiga. Em troca ela deu-me uma pilha de livros para ler (todas devíamos ter amigas assim) e eu comecei a ler o Orgulho e Preconceito e Zombies. Estava a ser uma leitura engraçada, mas não me estava a prender (hum, fantasy book hangover? cof cof – obviously)
Foi então que decidi ir procurar A Vida Invisível de Addie Larue às minhas caixas (tenho todos os meus livros dentro de caixas numa cave desde que sai do meu último apartamento – e sim, pensar nisso dá-me vontade de chorar).

Eu já tinha lido – devorado – este livro há algum tempo e voltei a adorar cada página.
Resumindo (extremamente) esta história: em 1700 uma rapariga faz um acordo com um deus que não devia – daqueles que só aparecem depois do sol se pôr – em que ele lhe dá a vida eterna, mas lhe tira a possibilidade de ser relembrada. Depois de 300 anos a viver assim, algo muda e ela encontra alguém que consegue pronunciar o seu nome, alguém que se lembra dela no dia seguinte, e em todos os dias depois disso. Como é que isto é possível? O que é que Luc (o deus da noite) tem a dizer sobre isto? (espero que tenham ficado curiosos com o livro e que o vão ler – porque é mesmo bom e está mesmo bem escrito).
Eu gostei muito da maneira como a história da Addie é contada, me faz lembrar novelos de lã, daqueles que ficaram todos embaraçados e que temos que ir puxando várias pontas para os desenrolar.
Curiosamente na minha cabeça neste livro é sempre Outono, mesmo que parte seja contada a partir de Março e que ela esteja sempre a tentar fugir do frio.
A meio fiquei sem saber se devia dar mais valor ao tempo que tenho, mas vou culpar o facto de estar com as hormonas completamente passadas e estar a chover lá fora.
Tirei tantas quotes deste livro que tive que lhe por marcas, para não ter que estar sempre a escrevê-las (tenho um excel com tudo muito organizadinho – cada maluco com a sua pancada).
E é quando estou a mais de meio deste livro que começa o verdadeiro caos, porque eu encomendei a edição em português do Quarta Asa e que eu li em dois dias (com uma noite de insónias pelo meio).

Se nunca ouviram falar deste sucesso do Booktok, então provavelmente podem deixar de ler este por aqui, porque não vão perceber o xitex envolvido.
Resumindo: imaginem que o Divergente, o Shadow & Bones e o Como Treinares o teu Dragão tiveram um bebé. Este livro é esse bébé, mas com smut à mistura.
A minha primeira impressão não foi nada boa: na pagina 18 e já disseram tantos palavrões que podiam ser do norte. Eu tenho aversão a algumas palavras em português e não consegui não torcer o nariz cada vez que um palavrão era dito (já percebi que devia ter lido isto em Inglês, pronto).
Fiquei a ler noite dentro. Uma vez um psicólogo disse que devíamos voltar atrás, para a minha pré-adolescência e rever a minha paixão pela leitura, que não era normal eu ler desta maneira intensiva. Recusei na altura e acho que hoje em dia também me iria recusar.
Mesmo que às vezes não tenha a certeza se um livro é bom ou se a minha vontade de fugir à realidade é que é muito grande, não quero saber.
“If reading like a psycho is good for your mental health, then babe – read like a f*cking psycho” – vi alguém a dizer isto no Tiktok e ficou comigo. Podia ser viciada em drogas ou alcool, mas sou viciada em livros, nesta fase da minha vida livros de fantasia com smut. Podia ser pior.
Gosto da maneira como esta história é contada, da maneira como é criado este mundo fantástico, apesar de sentir que faltavam detalhes.
Ainda me ri com a chuva de pensamentos da Vi, a nossa personagem principal feminina, porque acho que muitas de nós falamos assim connosco próprias e é muito genuíno.
Percebi que sou demasiado pudica para as descrições 🌶️. Em português é só cringe e descobri que prefiro expressões ridiculas a estas descrições gráficas da treta.
Lembrou-me aqueles livros pequeninos com pessoas seminuas que me lembro de ver na papelaria quando era pequena.
Este livro devia ter bolinha. Vi alguns videos sobre isto no Tiktok, e realmente, com a quantidade de smut que tem aparecido, os livros deviam ter essa indicação. Tipo, maiores de 18 como nos filmes! Eu acredito que muito boa gente foi oferecer este livro a miudas de 13 anos a achar que era um género de Harry Potter. Não é, é a versão para adultos. Por favor, já chega o que a internet mostra às crianças antes do tempo, não os ponham a ler livros destes antes de terem idade (um dia falamos sobre os livros que lemos antes do tempo. Li alguns, mas só um é que tinha cenas sexuais explicitas e acreditem que o meu cerebro de 13 anos não estava bem a assimilar aquilo – tanto que não li o livro até ao fim).
Fiquei completamente viciada nesta história (e em shadow daddys, aparentemente. Mesmo que o Xaden tenha menos 10 anos que eu, não importa).
Se adorei a escrita?
Não.
Se aquele último parágrafo me faz pensar em ler o Iron Flame em inglês quando sair daqui a uns dias?
Sim, já está encomendado.
Este minha sede de livros estava a fazer-me sentir sozinha. Sempre foi assim, nunca tive muita gente com quem falar de livros, mas desta vez estava a incomodar-me.
Foi então que, no Tiktok, encontrei o Clube do Livro E&M (Eva & Marta). Foi mesmo nos últimos dias de Outubro e esta comunidade no whatsapp (que eu nem sabia que dava para fazer), tem me deixado com um sorriso nos lábios todos os dias.
No Clube do Livro, Novembro é o mês dos dragões e há um grupo dedicado a Iron Flame. Não vos sei explicar o quão reconfortante (já usei esta palavra várias vezes hoje, desculpem) é ter um grupo de pessoas ansiosas para ler um livro tal como eu.
Foi neste grupo que me sugeriram o podcast Fantasy Fangirls, onde duas irmãs falam de todos os detalhes e teorias sobre o Quarta Asa. Eu nunca fui de ouvir podcast, não tinha paciência, e agora estou simplesmente viciada!
Se leram e gostaram do Quarta Asa, vão ouvir e perceber porque é que vou dizer “God fuckin damit Dain” cada vez que o Dain abrir a boca no Iron Flame!
Bem, se chegaram ao fim deste post, obrigada. Espero que gostem tanto de livros como eu!
Beijinhos e bom fim-de-semana,
Maria Maçã





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