Como o nome indica, Novembro foi mês de ler fantasia: e a reading slump em que me encontro agora é capaz de ser indicativo de que vou precisar de continuar a ler fantasia (apesar de ter uma pilha de livros emprestados que são tudo menos isso). Mas pronto, posso atualizar a minha descrição oficial para “viciada em café, chocolate e livros de fantasia”.
AVISO: vou falar sobre a minha opinião dos livros que li, vão obviamente haver spoilers.

Comecei o mês a ler o recém traduzido Corte de Chamas Prateadas, que é o quarto livro da saga (e se não sabem de que saga estou a falar, não sei se faz sentido lerem mais deste post. Se tiverem interesse em fadas e em arruinar a vossa vida para sempre com este novo interesse, leiam este post).
E antes que venham criticar por causa do smut: não percebo o problema, desde que sejam maiores de idade a ler. Sempre existiram livros destes – ou já se esqueceram das 50 Sombras de Grey? Ou esses não faziam mal porque ele era bilionário? Deixem-me sossegada com os meus livros de fantasia e smut – obrigadinha.
Voltando a Velaris: confesso que estava meia em pulgas meia com o pé atrás em relação a este livro, porque em vez de se focar na Feyre e no Rhys, ia focar-se no Cassian (meu brutamontes fofinho) e na Nesta (que eu detestava, mesmo).
É um livro com uma passada mais lenta que os outros, não só em slow burn entre a Nesta e o Cassian mas também no desenvolvimento da personagem. Mas chegando ao fim, não havia outra maneira de o fazer.
Acompanhamos a Nesta no seu processo de cura interno, de como sai de um estado tóxico, auto-destrutivo e depressivo – e esse processo não podia ser descrito de maneira rápida. Porque não o é, temos que cair e nos levantar e perceber quem está lá para nos apoiar.
Adorei o facto de a casa ter personalidade e ainda gostei mais que o elo inicial de ligação entre as personagens femininas fossem os livros (eróticos, sim, mas não deixam de ser livros). Personagens de livros que gostam de livros vão ter sempre um lugar especial no meu coração.
E claro que os livros que elas trocam entre si são super dirty – este é o livro com mais smut de sempre. E, verdade seja dita, é por isso que adoramos o Cassian, não é? (depois deste livro, não vou ficar surpreendida se me disserem que disparam as vendas em cabeceiras para as camas).
E por falar em Cassian: uma das coisas que gostei neste livros foi de perceber melhor esta relação dos bat boys. Gosto que seja mostrada tantas vezes o companheirismo e apoio incondicional destes melhores amigos que são como irmãos.
Não senti assim falta da Feyre como achei que ia sentir, mas não gostei de não lhe expliquem a gravidade da sua gravidez. E percebo quando li algures alguém a dizer que precisava de um POV dela porque… WTF, o que realmente se passou na cabeça dela este tempo todo?
Este livro fez algo que os outros não fizeram: fez-me chorar. Depois da caminhada pelas montanhas, as últimas 100 páginas foram lidas com o coração na boca e lágrimas nos olhos. Quando chegámos à parte do “nada nos pode destruir” tive que ter cuidado para não molhar as páginas do livro.
Não estava mesmo à espera de sentir o que senti a ler este livro, e a palavra pode parecer estranha mas é o que tinha escrito nos meus apontamentos e que continua a fazer sentido: esperança.
Como se fosse uma luz ao fundo do túnel, este livro mostrou que podemos lutar para sair do fosso e que não temos que o fazer sozinhos.
Não estavam à espera de nada tão profundo em relação a um livro de fadas, pois não?
Já leram? O que acharam?
E se o primeiro livro do mês acabou com uma nota positiva… o segundo veio destruir-me completamente. Sim, estou a falar do Iron Flame, o queridinho do Tiktok.

Li o Quarta Asa quando saiu em português, no fim de Outubro, mas fui super influenciada pelo xitex em que a Internet toda estava e encomedei o Iron Flame em inglês. Sim, 600 páginas de fantasia em inglês com um tipo de letra tipo tamanho 8 – onde é que eu estava com a cabeça.
Depois de todo o filme para o livro chegar – houve imensos problemas de impressão (livros com capítulos e capas trocadas) e de atrasos nos envios por falta de exemplares, o meu bébé lá chegou, uma semana depois do previsto.
Para minha alegria, começou exactamente onde acabou. O livro anterior tinha acabado de uma maneira demasiado violenta, por isso eu não queria nada ter que ler um capítulo inteiro das coisas tipo 1 mês depois e ter sabido do que se tinha passado aos bochechos.
Alguém nas redes sociais falou de um ponto de vista que para mim fazia todo o sentido: se fossemos homens e o objecto da nossa obsessão fosse futebol, estava tudo bem. Como são personagens fictícias, temos que nos acalmar que estamos a ser umas histéricas – opa, vão se lixar.

Os leitores estão divididos entre quem odiou e quem adorou este livro mas – apesar de ter sido difícil para mim ler em Inglês (ler fantasia em inglês é diferente do inglês que eu leio em romances modernos ou nas redes sociais o dia inteiro) – eu adorei. Este é o tipo de livro que me faz querer ser capaz de me filmar a ler, pela quantidade de vezes com que começo a rir e páginas depois estou quase a chorar.
A Andarna adolescente é só hilariante. O contraste da personalidade sassy dela com o resmungão do Tairn é *chefs kiss*.
A Violet é um pouco todas nós, confusa e sem saber bem para que lado de virar – e muito resistiu ela aquele pedaço de mau caminho do Xaden. Esta personagem principal masculina é a prova que homens escritos por mulheres são mil vezes melhores que os outros. I MEAN.
Gosto mesmo muito deste grupo de amigos que, juntos, sobrevive a tudo. Da maneira como a Violet não conta o que se está a passar e no momento em que ela fala sobre Venin e a Andarna, a Rhiannon e o resto do grupo ter automaticamente acreditado e ficado do lado dela.
Dois momentos (big spoilers) que me deixaram em extremos opostos de:
IRRITAÇÃO – como assim Jack Fuckin Barlowe. Tive que ler duas vezes para ter a certeza de que era verdade
DESGOSTO – quando o Liam “apareceu”. Como assim? Eu sei, fazia todo o sentido, mas fiquei mesmo de coração apertadinho.
“I do. I’m sorry if you expect me to do the noble thing. I warned you. I’m not sweet or soft or kind, and you fell anyway. This is what you get, Violet— me. The good, the bad, the unforgivable. All of it. I am yours.” His arm wraps around the small of my back, holding me steady and close. “You want to know something true? Something real? I love you. I’m in love with you. I have been since the night the snow fell in your hair and you kissed me for the first time. I’m grateful my life is tied to yours because it means I won’t have to face a day without you in it. My heart only beats as long as yours does, and when you die, I’ll meet Malek at your side. It’s a damned good thing that you love me, too, because you’re stuck with me in this life and every other that could possibly follow.”
Com quotes destas, podem imaginar a montanha russa de sentimentos que foi este livro, não é? Os últimos capítulos foram novamente demasiado rápidos e claro que ficaram muitas perguntas por responder: e é por isso que ficamos em pulgas para o próximo.
Nota: não há redemption arc que me vá fazer perdoar o Dan. Nem fazer gostar da Cat.
O final foi tão arrasador que, quase duas semanas depois, ainda me estou a tentar recompor. Lamento, mas é verdade. Só me resta esperar pela versão traduzida para ler tudo outra vez e sofrer outra vez e, com sorte, estar mais perto do 3 livro. Porque, confesso, foi difícil esta leitura em inglês, especialmente no fim, em que estava tão empolgada que não queria estar sempre a parar para ir ver o significado das palavras em português e por isso sinto que posso ter perdido informação valiosa.
O que aprendi? Que se esperei anos pelas traduções de Outlander, também posso esperar por estes e outros livros de fantasia.

Por fim, comecei a ler a “Morte de uma Livreira”, oferecido pela Leya (obrigada!). Uma mudança drástica em relação aos livros anteriores, mas que eu acho que estava mesmo a precisar – tenho demasiado trabalho para fazer e não posso fazer noitadas a ler livros de fantasia todas as semanas, já não tenho 18 anos.
Ainda vou no inicio mas está a ser giro – gosto muito do facto de mostrar dois pontos de vista de personagens tão diferentes. No próximo post conto-vos mais 🙂
E vocês? Que leram em Novembro? O que querem ler em Dezembro?
Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã





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