
Descobri esta quote da Emily Dickinson há uns anos atrás e, sempre que sinto que estou no meio de uma tempestade (emocional), penso nela. Num mar calmo e no som relaxante das ondas a quebrar.
Não vou dizer que 2023 foi o pior ano da minha vida, principalmente porque o meu cérebro tem tendência a pagar más memórias de anos passados.
Mas posso dizer que passei o ano todo à espera.
À espera de encontrar uma casa e voltar a viver sozinha (não encontrei) e mais tarde à espera que a inquilina do pai saísse para eu poder entrar (ainda não aconteceu);
À espera que o meu tio vencesse a luta contra o cancro (que perdeu);
À espera que a saudade ocupasse menos espaço (mas todos sabemos que não é assim que funciona);
À espera de voltar a sentir-me eu (que ainda não senti).
Estas coisas fizeram-me sentir como se tivesse sempre em cima de uma corda bamba, em que as coisas boas da vida me ajudaram a não cair, mas que mesmo assim não me fizeram parar de pensar na queda.
Entrei num estado de dormência e fiquei meia apática. Na tentativa de não sentir as coisas más bloqueei também as coisas boas, sentindo tudo num nível superficial. Esta semana comecei a sentir que talvez estivesse a sair desse estado, porque a alegria de ter criado a minha primeira empresa com a minha irmã (prometo um post sobre isso em breve) foi de uma intensidade que não sentia há muito tempo (seguida por uma tristeza profunda de querer partilhar isto com o meu tio e não ser possível).
Eu faço muito isto, fico focada nas coisas más e não consigo pensar nas boas. É uma parvoíce, tendo em conta o estado do mundo sinto-me uma ingrata, porque olhando para trás tive tantas coisas boas este ano:
– viajei dentro e fora do pais com a minha irmã
– conheci novos sítios e pessoas
– fiz novas amizades na vida real através na internet
– criei mais conteúdo e fui me expondo mais na internet e sinto que assim estou a criar novas conexões (e gosto muito)
– desfrutei da companhia do meu grupo de amigas em diversas ocasiões, um grupo que me faz sentir sempre bem na minha pele e jamais julgada (e isso é tão precioso)
– li livros que me preencheram a cabeça e ajudaram a passar momentos menos bons
Ao escrever isto só me lembro da famosa quote do Stephen Chbosky no The Perks of Being a Wallflower:
“So, this is my life. And I want you to know that I am both happy and sad and I’m still trying to figure out how that could be.”
Porque é este o resumo deste ano: teve coisas muito boas e muito más. Mas não é assim a vida? O objetivo é processar as más e mais tarde relembrar principalmente as boas, não é? Tenho a certeza de que daqui a um par de ano vou olhar para trás e lembrar-me melhor das coisas boas, nem que seja porque vou reler os posts deste blog (não este, mas principalmente os outros)
Por falar em blog, e sacudindo um pouco deste ambiente tenso que criei neste post, acho que está na altura de reforçar o desafio que fiz a mim mesma em Setembro.
Para quem só chegou a este blog agora, em Setembro fiz um pacto com a minha irmã sobre criação de conteúdo e presença nas redes sociais (podem ler mais sobre isso aqui).
E posso dizer-vos que, tirando ter falhado redondamente nos posts aqui no blog, correu bem! Acabei por postar muito mais regularmente do que era suposto, tive mais ideias (apesar de ainda estar a processar o facto de nem sempre as conseguir concretizar como queria) e encontrei uma comunidade de leitoras incrível que não só me faz sentir menos sozinha na paixão pelos livros como também me relembra que uma das razões que me faz adorar a internet é o conhecer pessoas novas.
Resumo da história: é para continuar. Continuar com este blog tipo diário (mas ser mais regular nas partilhas), continuar a criar conteúdo e a partilhar e a tentar fazer coisas só porque sim. Continuar mais 3 meses e ver como me sinto, se quero dar um passo em frente ou dois atrás.
Durante muitos anos fiz listas intermináveis de objetivos (uns mais irreais que outros) para o ano seguinte, mas este ano não quero. Este ano vou só prometer que vou tentar ser melhor para mim mesma, que me vou relembrar que sou mais forte do que acho que sou.
Este ano as únicas listas que vou fazer é as de conteúdo que gostaria de criar em breve.
Listas para organizar o trabalho em Janeiro.
Listas de sítios para ir passear e apanhar ar enquanto o bom tempo para ir para a praia não volta.
2024 vai ser um ano cheio de desafios e de altos e baixos. E eu estou contente por estar aqui para eles, mesmo nos dias em que ler um livro de fantasia seja mais apetecível do que enfrentar o mundo lá fora (e não faz mal).
Se tiveste paciência suficiente para ler até ao fim, obrigada, do fundo do coração. Espero que te revejas nisto e que nunca – nunca – sintas que estás sozinha (sim, I know that I write for the girlies). Ou que não te revejas mas que sintas empatia e fiques por ai para ler mais sobre a vida no geral em 2024.
Hoje vou ficar em casa a fazer uma maratona dos filmes da Bridget Jones, que é mesmo o que me apetece. Espero que acabes este ano de uma maneira que te faça sentir bem, quer seja em casa ou numa festa cheia de gente, a escolha é tua!
Feliz ano novo e bom domingo, para a semana há mais!
Beijinhos,
Maria Maçã





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