Finalmente, uma casa.

Não é uma casa, é um apartamento. Não é mesmo minha, é alugada.
Mas não importa, praticamente 4 anos depois de ter saído do meu último apartamento, voltei a ter uma casa e a viver sozinha.

Dito isto, um pouco de contexto era bem vindo, não é?

Entre muitas coisas antes, vivi 3 anos sozinha em Algés, num apartamento pequenino numa cave, o que fazia com que tivesse um pequeno pátio. Em Janeiro de 2020 tive uma infestação nojenta de baratas (que me fizeram perceber pela primeira vez o que eram ataques de histeria), e eu fugi. Literalmente, fugi a chorar daquela casa e fui para casa da minha mãe, em Alcochete (a minha senhoria não me atendeu o telefone durante semanas, até receber a carta de rescisão do contrato).

Tendo em conta que o país fechou em Março, ter ido para casa da minha mãe foi a melhor coisa que me aconteceu! Não só porque não fiquei sozinha durante o confinamento, nem a pagar uma renda alta numa casa esquisita (tive numa durante 4 dias, não tinha rede dentro de casa, de tão buraco que aquilo era), mas também porque Alcochete é praticamente campo, fiz muitas caminhadas à beira-rio e estava em casa da minha mãe quando o Xisto (labrador gordinho fofinho) chegou.

Se eu tivesse que viver com alguém para sempre, seria a minha mãe. Dou-me muito bem com ela (obviamente com discussões sobre eu não saber estender a roupa – verdade – e coisas do género) e sabemos lidar bem uma com a outra, para além de mãe e filha, somos amigas.

Mas… eu adoro viver sozinha. Se nunca tivesse tido a experiência provavelmente a conversa era outra, mas tive. Por isso posso dizer que gosto, muito. Gosto de ter o meu espaço, com as minhas coisas. Gosto que estar sozinha seja uma escolha.

Quando estou fora em eventos durante uma semana inteira, ou tenho dias de criação de conteúdo especialmente intensos, eu preciso mesmo de me sentar sozinha no sofá com um livro (ou com a televisão, sejamos sinceros). Preciso de conseguir recuperar do excesso de interação social (eu acho que sempre precisei disso, mas depois da pandemia fiquei pior. Estou em recuperação, mas ainda tenho uma bateria social danificada).

Em 2023 achei que ia comprar uma casa: tinha dinheiro suficiente para uma entrada modesta e o banco tinha pré aprovado um crédito.
Foi a pior ideia de sempre, não é? Porque os apartamentos estavam cada vez mais caros e ainda fiz duas avaliações que ficaram muito abaixo do preço que os proprietários estavam a pedir e desisti quando os juros começaram a atingir valores ridículos.

Pronto, tudo bem, vamos alugar. (esta linha de raciocínio dá-me vontade de chorar e rir ao mesmo tempo).
Lisboa estava fora de questão (eu não sou rica – ainda), por isso procurei na zona em que estava: Montijo, Alcochete e arredores. E sabem que mais? Mesmo eu tendo um valor alto em recibos verdes (estava a passar os meus e os da minha irmã) ninguém me aceitava porque eu não só era trabalhadora independente como estava a alugar a casa sozinha.

Isto estava a arrastar-me numa espiral gigante de desespero. A minha melhor amiga viu qualquer coisa algures e veio-me dizer que “era normal porque ter uma casa/ninho era a base da pirâmide da vida e que eu precisava disso para conseguir suportar o resto” – e fez sentido (faz sentido).
Entre outras coisas más que se estavam a passar na minha vida, não conseguir ter casa estava a parecer o fim do mundo (eu sei que há pessoas sem casa neste momento, e o que se passou comigo a seguir é prova do meu cantinho privilegiado do mundo, não pensem que não sei isso).

Entretanto, os astros meio que se alinharam e a inquilina que o meu pai tinha disse que ia sair.
Só que o apartamento era na Moita, sitio em que estudei até aos 15 anos (vivia numa aldeia aqui perto).
Só que ela disse isso em Abril que ia sair em Novembro – saiu em Janeiro.

Foi desesperante, mas aqui estamos! Pagamos uma renda mais ou menos normal para esta zona, conhecemos o senhorio e o apartamento tem boas áreas (yey).

Sabem qual é o maior problema de esperar tanto tempo por uma casa?

O Pinterest.

Se eu usei aquela app desde que apareceu (true story, eu fiz uma pré-inscrição quando li sobre ela no blog da Oh Joy. Jamais pensaria que iria continuar a utilizar até aos dias de hoje!) e se nos últimos 4 anos os boards aumentaram… desde Setembro que a sua utilização foi intensiva. Tinha boards, tinha referências sem fim e links de mil sites.

Eu não sou rica nem decoradora de interiores, mas estou a dar o meu melhor para, entre coisas novas e peças em segunda mão, conseguir ter uma casa confortável, que mostre um bocadinho de mim em cada canto.

Acho que estou a conseguir, mesmo que certas coisas tenham ficado completamente fora das referências (o nicho acabou por ficar branco, por exemplo. A capa do sofá cor-de-rosa está perdida na transportadora).

Eu tinha-me desfeito de tudo o que era grande, nomeadamente electrodomésticos e móveis – e ainda bem, porque com a humidade do sitio em que deixei as minhas coisas tinha ficado tudo estragado.

Isso não quer dizer que não tivesse montes de caixas, porque para além das coisas que eu já tinha, 4 anos dão para acumular muita coisa.

Como sempre, caiu imenso trabalho na mesma altura em que recebi as chaves e os móveis demoraram a chegar. Demorei duas semanas a dormir no apartamento pela primeira vez e nas duas semanas que se passaram sinto que estou sempre a arrumar mais qualquer coisa e que nunca nada está acabado – vai levar tempo mas faz parte do encanto de “montar” um espaço só nosso, acho eu.

E uma vez que este post está gigante… vou me ficar por aqui!

Gostavam de posts sobre o antes e o depois de cada divisão?
Tem visto os videos no Tiktok sobre estas andanças e o drama de como arrumar as estantes do escritório?

Digam-me coisas nos comentários!

Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã

2 respostas a “Finalmente, uma casa.”

  1. […] feiticeiros que vão para Hogwarts, mas não estou. Foi mesmo isso que aconteceu (falei sobre isso neste post), e cada dia dos últimos 6 meses que passei aqui senti isso. Fico contente sempre que entro em […]

  2. Muitos parabéns por esta conquista! Espero que sejas muito feliz nesta casa e, com o tempo, a consigas deixar cada vez com a tua cara 😊

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