De tempos a tempos dá-me para isto: fico emocionada por ter o privilégio de ler. Para os não leitores isto é um conceito estranho, mas para vocês que gostam de ler… sabem do que estou a falar, não sabem? Aquele sentimento de estar a ler algo que nos enche a alma e que nos faz ficar felizes (e a maioria das vezes igualmente devastados), através de palavras. Palavras que outro alguém perdeu tempo a escrever, alguém que nos deu um bocadinho de si.
Claro que quem me pôs neste estado foi a Sarah J. Mass, mas já lá chegamos – aproveito para fazer um DISCLAIMER: vou falar do Reino de Cinzas E VÃO HAVER SPOILERS por isso se ainda não leram… vão ler e depois falamos sobre o assunto.
Comecei o mês de Novembro em Sintra, em mais um evento para a Renault (há um mini mini vlog sobre esse evento no Youtube, já viram?). Nestas alturas os dias são sempre agitados e, sempre que cheguei ao hotel, o Esses Prazeres Violentos , da Chloe Gong ficaram a olhar para mim, na mesinha de cabeceira.
A vontade de o ler era nula – o que me deixou triste comigo própria porque eu gostei muito da Dama do Destino (li em Abril e falei dele aqui) mas desta vez acho que não estava no mood. Precisava de algo mais leve, pelo que acabei a passear pelo supermercado e a trazer comigo o Fui Morar com um Vampiro, da Jenna Levine.
Como o nome indica, este livro fala da Cassie, uma rapariga com a vida e as finanças do avesso – circunstâncias essas que a levam a procurar um quarto barato para viver e a ter como senhorio o homem mais bonito de sempre. E que como se vem a descobrir (sem grandes surpresas) o dito cujo é um vampiro.
Este nosso querido (sim, adjetivo correcto) vampiro esteve a dormir durante 100 anos e acordou num mundo em que existem telemóveis e redes sociais e todo o seu processo de aprendizagem fazem com que esta leitura seja leve e engraçada. Sorri várias vezes e por isso considero este livro perfeito para aqueles dias em que precisamos só de relaxar.
Passei de um livro fofinho para outro completamente diferente: o Rei da Ira da Ana Huang.
O que tenho para vos dizer sobre isto? Nada. Tenho que aceitar que bilionários não são para mim…
Tinha lido o Amor Redesenhado da Lauren Asher e pensei o mesmo, mas agora é definitivo. Não gosto da narrativa, de a história rodar em volta do facto de ele ser muito rico. Em tempos adorei o 50 Sombras, mas nesta fase não é definitivamente para mim.
Para recuperar deste livro (que devolvi, confesso), fui parar a um romance fofo.
Eu tinha um amigo que me estava sempre a dizer que o ódio é o sentimento mais perto do amor, e é nesse limpo que a Gretchen e o Charlie estão.
Medium, mas Pouco é um romance da Sarah Adler (nunca tinha lido nada dela) em que seguimos uma rapariga que finge falar com fantasmas até à quinta de um gostosão… e ao Everett, o fantasma que assombra a propriedade e é viciado em ver televisão (quando, logo no inicio, ele faz referência à Ally Macbeal, eu soube que iamos ser amigos).
Foi mais uma leitura leve – e que me fez querer ler mais da Sarah, e que me ajudou a tentar preparar psicologicamente para o que ai vinha.
Sim, é agora que vamos falar sobre o Reino de Cinzas e de como aceitei que a Sarah J. Mass é mesmo incrível e merece todo o hype do mundo.
Estava aterrorizada para ler estas 800 páginas – o meu Tiktok estava cheio de video de pessoas a chorar baba e ranho e eu não estava preparar para ficar emocionalmente destruída. E sabem que mais? Estava certa em ter medo, porque não houve um único momento para respirar neste livro (ao ponto de ler lido 8h seguidas e nem ter dado por isso).
As páginas em que a Aelin estava a ser torturada estavam a dar cabo de mim, ao ponto de refilar em voz alta com o livro e dizer “eles vão chegar a tempo” quando a Maven sai para os buscar o colar. Este livro estava a mexer comigo ao ponto de eu ter dito (novamente, a falar com o livro) “Tu não vais morrer assim!” – quando o Aedion fica ferido gravemente em batalha.
E no meio desta leitura obcessiva, em que parar de ler não era opção, fico arrepiada até ao fundo do meu ser quando a mensageira Crochan sai para reunir as bruxas. Dou por mim com imagens vividas na minha cabeça, a imaginá-las a tirar os baús debaixo da cama, a beijarem as cabeças dos seus bebés gordinhos. Dou por mim a sentir o cheiro das lareiras a desvanecer quando fecham as portas e encaram o ar frio da noite. E quando acabei de ler essa parte, tinha lágrimas nos olhos.
Não só pelo que estava a acontecer (mulheres a reunirem-se para salvar o mundo, basicamente) mas pelo privilégio que é ler poder ler. O privilégio de conseguir invocar todas estas imagens na minha cabeça. O privilégio de me deixar sentir o que precisar de sentir enquanto leio. Já tinha dito e volto a dizer: ler é realmente uma coisa incrível e um dos maiores prazeres da minha vida.
Passei o livro quase todo à espera da morte trágica de alguma das personagens, mas nada me preparou para as Treze. PORRA SARAH. Quando acabei de ler essa cena tive que parar, pousar o livro e respirar.
Curioso como a Manon, que eu odiava, se tornou das minhas favoritas. Ao contrário do que aconteceu com a parvalhona da Nesta, a Manon para mim teve um redemption arc perfeito e as partes em que apareciam as bruxas passaram a ser das minhas favoritas (ao ponto de eu precisar de uma novela sobre a Manon e o Dorian – sim, assino essa petição quando quiserem).
Não chorei baba e ranho quando acabei e achei que não tinha ficado devastada – mas a realidade é que não consigo ler há uma semana, desde que acabei este livro – e estou completamente perdida sobre o que vou ler agora. Aceitam-se sugestões!
O próximo post no blog vai ser sobre a edição de Natal do Sala Pequena – Mesa Cheia que vou organizar já na quarta-feira, por isso… até breve!
Beijinhos e bom inicio de semana,
Maria Maçã





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