Tenho visto uma trend muito fofa no Tiktok em que as pessoas mostram os livros que liam antes (na juventude, ou quando perceberam que gostavam de ler) que me deixou a pensar que… eu não me lembro de não gostar de livros.
Antes ainda de saber ler, eu gostava de histórias e de folhear. Lembro-me perfeitamente quando, com mais ou menos 5 anos, a minha mãe me levou à biblioteca mais próxima e fizemos um cartão: eu não queria acreditar que haviam tantos livros no mesmo sitio e que eu podia escolher um para vir comigo para casa.
Andei numa escola primária da aldeia, em que no primeiro ano éramos 3 meninas e a sala era divida com o resto dos anos (até ao 4º ano). Claro que o ensino não foi o melhor e a minha mãe teve que me ensinar a ler em casa porque o que eu mais queria era poder ser eu a ler as minhas próprias histórias.
Estava a contar à minha irmã isto e a resposta foi “não me lembro de ti sem teres um na mão” e acho que isso resume bem tudo isso.

Bem, vamos então falar de Fevereiro, o mês que devia ser o mais pequeno mas que para mim foi especialmente longo?
Confesso que não foi um mês fácil e que senti muito a depressão sazonal a bater, mas o mês acabou e para além disso consegui ler uns quantos livros! Mais fantasia do que era suposto (continuo a querer balançar entre romance e fantasia), mas vamos lá: comecei o mês a ler algo bastante adequado ao meu estado mental:
Este livro é especial porque foi a própria Rosa Silva que me enviou uma mensagem a perguntar se eu queria ler. COMO ASSIM? Fiquei histérica, claro que queria ler.
Este livro conta-nos a história da Mel, uma workaholic com problemas de álcool, obcecada com a imagem da perfeição em todos os campos da sua vida e de como, depois de um burnout, se vai descobrir para os Açores.
Quando comecei a ler percebi que ia gostar da Mel quando ela e da amiga classificam os homens como bebidas: eu adoro personagens com humor.
Mas a certa altura ela estava a irritar-me e foi então que percebi porquê: estava a identificar-me demasiado e isso estava a mexer comigo.
Dizem que a maneira com que falamos connosco próprios é extremamente importante, porque vai refletir a maneira como deixamos os outros nos tratarem. Eu acho que com os livros é a mesma coisa, ler sobre os assuntos ajuda não só a normalizá-los como também a não nos sentirmos tão sozinhos. Gostei deste livro e espero que o leiam, não só para apoiar os escritores nacionais mas porque realmente às vezes precisamos de ler sobre as coisas para nos ficarmos a conhecer melhor.
Depois, apesar de ter pegado num livro da Stephanie Garber antes, tive que ler um que tinha acabo de sair:
2. Até ao Fundo, Ali Hazelwood
Vamos deixar algo bem claro deste já: eu vou continuar a ler tudo o que for traduzido da Ali (e não leio o não traduzido porque sou preguiçosa). Ou seja, mesmo que não tenha adorado o Não é Amor, eu tinha que ler este.
Fui buscá-lo porque precisava de um reset: o meu cérebro ansioso estava em loop e precisava de algo que soubesse que não me ia fazer pensar muito e me ajudasse a desligar do resto. Se foi o meu favorito da Alli? Não. Se o papei entre 17h e as 00h? Yup. Foi bom e cumpriu o seu propósito
Como todos os livros da Alli, temos a sua fórmula mágica (e que eu gosto): ele está sempre louco por ela antes, tem alguma divergência, ficam juntos no fim.
Há uma grande polémica nas redes sociais sobre este livro, mas eu não achei que tivesse mais cenas sexuais do que qualquer um dos anteriores, só o tipo de sexo é que era diferente (embora eu no início estivesse com muito medo que se fosse revelar um 50 Shades mas aquático).
Se o facto de este homem ser direto como tudo me fez dar uns gritinhos? Claro. Então mas então o que é suposto eu fazer quando leio: “O que precisas – devia ser de mim.” ? Morri, claro.
Adorei o facto de aparecer a Olive e o Adam e odiei o facto de haver falhas de comunicação tão berrantes.
Acabei o livro e dei por mim a pensar noutra razão pela qual nós, mulheres, gostamos tanto de homens escritos por mulheres: os personagens principais masculinos reparam nas pequenas coisas, tomam atitudes para que a rapariga se sinta mais confortável.
O Jack continua a ser o meu favorito, mas preciso de mais romances destes. Aceitam-se sugestões (para além da Emily Henry e da Elena Armas não conheço grande coisa…)
3. A Maldição do Amor Verdadeiro, Stephanie Garber
Depois da Alli voltei a pegar neste livro, o último da saga. Precisava de saber como ia a história acabar e confesso que estava com medo (odeio finais, acho sempre que não são bons).
Curioso que o tom do livro, tão fantasioso e cor de rosa que antes me parecia saído de um filme da Barbie, é agora reconfortante. Entranhou-se completamente em mim e eu li este livro de uma vez só (devorar talvez seja a palavra mais correta).
O meu medo do final? Infundado. O final foi feliz, perto da perfeição para mim até.

Não quero ler Caraval, mas quero muito ler mais coisas escritas pela Stephanie!
Acabado este livro, fui toda contente para comprar o Quicksilver… até ter percebido que só saia uma semana depois. Fui até ao supermercado para ir buscar a Deusa Ardente até que vi que já tinha sido traduzido…
4. Aprendiz de Vilão, Hannah Nicole Maehrer
Sabem o que este livro é? Um raiozinho de sol.
Que saudades deste mundo! Neste livro seguimos o desenvolvimento da Evie no mundo da vilania e as interações dela com o Vilão são tão deliciosas que ainda antes de ler as primeiras 100 paginas já tinha um sorriso colado no rosto.
O enredo é completamente absurdo, com elementos e acontecimentos que parecem que não fazem sentido nenhum: e é por isso que eu adoro estes livros. Não há regras, há humor, há decisões moralmente duvidosas e personagens cheias de personalidade. Leiam, por favor. Sei que vão adorar! (ai, espero eu. Nunca tenho certezas de nada nestes casos).
O último livro que li efetivamente em Fevereiro foi…
Eu tenho sempre muito medo em ler livros muito aclamados no Tiktok: as expectativas ficam demasiado altas e nem todos gostamos dos mesmos livros e não faz mal.
Mas sabem que mais? Gostei bastante. Tenho muitos comentários a fazer que vão ser spoilers e não quero fazer-vos isso(podem ler, se faz favor, para eu ter com quem comentar?), mas posso dizer que sinto que a relação das personagens principais se desenvolver demasiado rápido (ou eu li demasiado rápido) e que apesar de ter ali umas situações que me irritam profundamente… gostei muito do world building e de misturar vários tipos de… “raças” (será que lhes poderemos chamar assim).
Conclusão: quero mais, se faz favor.
Estou neste momento a ler a Deusa Ardente, cheia de medo porque a autora começou o livro a dizer que vamos chorar desalmadamente e a tentar ler devagar porque o livro é demasiado violento e está a mexer comigo (mas não consigo parar, preciso de saber o que vai acontecer). Depois disto vou certamente precisar de um romance fofo: aceitam-se sugestões.
Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã





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