Sempre ouvi dizer que não se deve julgar um livro pela capa… mas foi isso que fiz inconscientemente e que me levou a não pegar na série Shatter Me até agora (quer dizer, aquelas capas são horríveis, quem me pode julgar?).
Antes de escrever mais, e de avisar com letras grandes e gordas que VÃO HAVER SPOILERS NESTE POST, deixem-me dizer-vos que gostei tanto destes livros que li os seis de seguida, com novelas pelo meio (falta-me uma, já falamos sobre isso). Seguida mesmo, sem parar (nunca tinha feito isto com nenhuma série) e que agora quero estas capas feias nas minhas estantes (estou a controlar-me muito para não gastar 100€ e comprar a série toda. A tentar ser uma adulta responsável, combinei comigo mesma que só posso gastar esse dinheiro quando tiver um trabalho extra… wish me luck e muita força de vontade).

Entrei em Agosto a ler o Cúmplice do Vilão. Não sei se foi do meu estado de espírito… mas estava a ser uma seca.
Nos outros dois livros desta série eu ri-me imenso e não conseguia parar de ler… este senti que estava só a engonhar.
Foi assim que, numa sexta-feira à tarde, depois de receber uma mão cheia de más notícias, agarrei-me ao primeiro livro da série Shatter Me (cada um com o seu coping mechanism).
Eu tinha-me apaixonado pela Tahereh Mafi a ler a série This Woven Kingdom e mesmo assim fiquei super surpreendida quando comecei a ler este livro porque o world building era completamente diferente (mas igualmente viciante).
Esta série é uma distopia com fantasia (não sei se existe um termo técnico), onde um grupo extremista conseguiu dominar o mundo (literalmente, todos os continente), porque conseguiu convencer a população de que o planeta estava a morrer e que se os escolhessem a eles que tudo iria ficar melhor (um clássico). Eles tentam eliminar toda a individualidade e capacidade de pensamento de cada um, destruindo arte, música e livros e obrigando as pessoas a trabalhar horas sem fim, com recolher obrigatório.
Começamos por conhecer a Juliette Ferrars, nossa querida personagem principal, que está presa num asilo por ter um estranho poder: o seu toque mata.
Com o objetivo de a usar como arma na luta contra os rebeldes, Warner (filho do comandante responsável pela América do Norte, conhecido por ser preverso e cruel) leva a Juliette para a sua base militar e começa a testá-la.
O que ele não espera é que entretanto se criem alianças e que ela fuja e integre a comunidade de rebeldes, composta maioritariamente por “unnaturals” – pessoas com mutações genéticas que lhes permitem ter vários “poderes” (invisibilidade, electricidade, mover objetos com a mente…)
E se acham que isto fica por aqui, estão muito enganados…

De livro para livro, revelações vão sendo feitas, segredos desvendados. Há muita tortura e desrespeito pelo ser humano, uma noção doentia de que tudo se pode fazer poder.
Esta série tem algo que eu adoro: múltiplos POV, tanto nas novelas como nos livros. Assim ficamos a conhecer cada personagem ainda melhor (e a viciar nelas). Ficamos a saber os traumas do Warner e os segredos de família, ficamos ainda mais apaixonadas pelo Kenji, o melhor amigo (que graças a deus ninguém matou. Desculpem, foi difícil, a Rebecca Yarros traumatizou-me e acho que precisam de saber isto para ler descansadamente). Ficamos a saber o quanto a Juliette sofreu e como mesmo assim tenta escolher o melhor para quem os rodeia.
Fiquei tão investida que não conseguia mesmo parar de ler, não descansei até chegar ao fim do último livro e ter a certeza de como ia acabar tudo isto (sendo que há uma prequela mas eu ainda não estou preparada). Tanto não estou prepada que quando cheguei à última novela… não consegui ler. A intensidade com que li tudo o resto sugou-me um pouco a alma, entretanto tínhamos chegado a Setembro e havia três lançamentos que queria muito ler. Também não estava preparada para abandonar aquelas personagens, por isso… ficou ali. A última novela, à minha espera para quando me sentir preparada para dizer adeus.

É muito díficil para mim escrever sem spoilers, primeiro porque acabo de ler e me esqueço de metade das coisas e segundo porque não sei como vos convencer a ler um livro só pelo entusiasmo com que falo nele e sem estragar a surpresa. Mas se tenho que deixar um spoiler importante, que seja este: são verdadeiros enemies-to-lovers, com tiros e tentativas de homicídio. Mas também precisam de saber que durante anos apagaram as memórias tanto do Aaron como da Juliette porque eles se apaixonavam sempre que se encontravam, uma força invisível que os juntava. E, tal como quase todos os dias me lembro que o Arin esperou 10 anos pelas Essiya, vou me lembrar disto.
Não sei se estes parágrafos são suficientes para vos convencer a ler esta série, mas espero que sejam. Ler distopias quando o mundo está um caos ajuda-me de alguma maneira, não sei bem explicar. Mas estou mesmo mesmo muito contente por ter lido esta, apesar de continuar a sonhar com capas mais bonitas ❤️
Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã





Leave a Reply