O ano chegou ao fim e, com ele, as nossas redes sociais ficam inundadas com listas de livros lidos e resoluções de Ano Novo.
Não estou a julgar ninguém, acho que cada um tem que fazer o que for o melhor para si, e se isso incluir definir resoluções de ano novo, livros favoritos lidos no ano, metas e objetivos para um novo ano, que seja.
Mas eu dei por mim a fazer listas mentais tóxicas (sim, acho que isto pode ser um conceito): dei por mim a dizer que em 2026 ia emagrecer, que ia comer melhor. Que ia ser mais produtiva e organizar o meu tempo e tarefas melhor. Que ia ser o ano do vai ao racha e do hustle máximo. Até que percebi que…
CALMA LÁ.

Já não tenho 15 anos, eu já aceitei o meu corpo (supostamente). Posso querer ser mais saudável para ter mais energia e poder brincar com a Flora e os meus primos pequenitos, para ter fôlego quando for fazer caminhadas no meio do mato com as minhas amigas – achar que preciso de merecer vestir um bikini não está nessa lista.
Hustle? Mas eu não quero viver em hustle constante, quero aproveitar a vida. O objetivo não é produzir mais, é conseguir sim continuar a produzir tirando tempo para estar com as pessoas de quem gosto a fazer coisas offline (já todos abraçámos o facto da tendência de 2026 ser o analógico, não já?)
Isto tudo começou a entrar em loop na minha cabeça e decidi que, para 2026, não ia ter resoluções de Ano Novo. Não ia fazer listas irreais (físicas e mentais). Tenho objetivos, e acho que isso é diferente. Há coisas que quero muito conseguir (como comprar uma casa ou conseguir mais parcerias com marcas) mas eram objetivos definidos anteriormente, não é por ser janeiro que me lembrei deles.
Estou a fazer algum sentido?

E nisto entram as leituras. Tive que deixar de fazer scroll porque a comunidade do Booktok nesta altura do ano fica insuportável: PAREM DE JULGAR AS LEITURAS DOS OUTROS. Que caraças! Julguem pessoas que não fazem a reciclagem, que é algo que afeta a comunidade geral.
Agora livros? Cada um lê o que quer e bem lhe apetece. Se é mais ou menos saudável ficar fechado em casa a ler e não ter contacto com o mundo exterior: não sabemos a vida das pessoas, por isso não podemos opinar.
Perdi-me completamente no meu registo de leituras dos últimos meses do ano. Outubro e Novembro passaram e entrei em Dezembro sem conseguir pegar num livro durante semanas. Fico triste porque gosto de ter o registo dos livros que li e dos meus favoritos cada mês (Alchemised, que fique aqui registado, um livro incrível).
Queria escrever-vos sobre os meus livros favoritos de 2025, mas como o meu cérebro apaga as minhas memórias sem me pedir autorização, vou vos deixar uma lista dos meus livros favoritos de sempre, baseado na marca que deixaram e na quantidade de vezes que já os reli.
Aqui estão os meus livros favoritos que eu sugiro sempre que me perguntam uma recomendação:
1. A Vida Invisível de Addie La Rue, V. E. Schwab
Já li este romance duas vezes e penso nele regularmente (não o voltei a ler porque tenho vários livros na TBR a atormentar-me). Esta é a história da Addie, a rapariga que fez um pacto com o Diabo e viveu eternamente – com a consequência de não ler lembrada. É uma história de amor – não só pelos outros como por nós próprios, sobre a marca que deixamos no que nos rodeia.
Gosto muito da V.E. Schwab e li mais livros dela na esperança de voltar a sentir o que senti com a Addie – até ver uma entrevista em que ela explica que gosta de experimentar géneros diferentes e que a Addie foi uma experiência, que não pensa em escrever nada do género nunca mais. Vou continuar a ler tudo o que ela escreve porque é sempre muito bom, e vou continuar a adorar a Addie com todo o meu coração.
2. A Sombra do Vendo, Carlos Ruiz Zafón
Li este livro pela primeira vez quando tinha 16 ou 17 anos e marcou-me de tal maneira que, no meu projeto de fim de curso na EPI, havia um espaço dedicado ao Cemitério dos Livros Esquecidos.
Já conheci muitas pessoas que não gostam da escrita do Zafón, e eu percebo, mas também acho que tem que se deixar ir… deixar a mente correr e vaguear e quando derem por vocês estão nas ruas de Barcelona, à porta da Livraria Sempere. Estão a correr atrás do Daniel e do Fermín enquanto tentam descobrir os segredos do Carax. Este é o primeiro livro de quatro, todos óptimos, mas nenhum (para mim) tão marcante como o primeiro.
3. A Biblioteca da Meia-Noite, Matt Haig
Outro livro que já li várias vezes, a primeira ao acaso, a segunda porque precisava de me lembrar que não podemos viver a vida nos “e se”. Nesta história conhecemos a Nora, que se sente perdida e sem motivos para continuar. Até que vai parar à Biblioteca da Meia-Noite, onde tem a oportunidade de experimentar todas as vidas que podia ter vivido.
É um livro que nos ajuda a pôr em perspectiva a vida no geral (e por falar nisso, talvez esteja na altura de o voltar a ler).

Enquanto escrevia esta lista dos meus livros favoritos, muitos outros me vieram à cabeça (e vão continuar a vir, parece-me). Adicionei estes 3 e mais uns quantos que gostei mesmo muito a esta lista. Digam-me se vão ler algum deles em breve!
E por agora é tudo, neste primeiro post de 2026.
Beijinhos e bom domingo,
Maria Maçã





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